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[:pb]ENERGIAS RENOVÁVEIS: POR UM FUTURO COM ENERGIA SUSTENTÁVEL E EFICIENTE[:]

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Crianças, Jovens e adultos, residências, hospitais, escolas, indústrias, empresas, comércio, órgãos públicos e demais setores do campo e da cidade, todos temos a energia elétrica como base de nossas vidas.

A ciência ainda não tem uma definição fechada sobre o que é exatamente energia. No entanto, o conceito mais usado pelos especialistas é de que energia trata-se da “capacidade de realizar trabalho”.

Em 2016, a participação da fonte hidrelétrica – que é considerada uma fonte renovável – na matriz brasileira, representou 68,1% na oferta interna de energia elétrica .

Em Biodigestor 1termos de capacidade de geração, segundo o Ministério de Minas e Energia, a participação das hidrelétricas representou cerca de 64,5% Grafico 2. Outro recurso que tem sido extensivamente explorado é o petróleo que representa mais de 30% do suprimento de energia elétrica.

Ancorado nas centrais hidrelétricas como principal fonte da matriz elétrica que alimenta as indústrias e residências, o Brasil deve adotar uma nova política energética para que haja um menor impacto ecológico.

Energias Limpas ou Energias Renováveis?

Todas as fontes de energia causam impactos na natureza, até mesmo as fontes renováveis. Por exemplo, as hidrelétricas, por conta de sua grande extensão, podem provocar alterações na fauna e na flora, além do desalojamento das famílias ribeirinhas, que têm, na maioria das vezes, todas as suas atividades articuladas em função das condições do espaço em que habitam.

De acordo com professor do Instituto Federal da Paraíba Marcéu Adissi, doutor em Engenharia Mecânica pela UFPB, todos os recursos energéticos causam impactos na natureza em maior ou menor proporção. Partindo do princípio da conservação de massas definido na frase “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” o docente explicou que a geração de energia é produzida pela conversão de outra fonte natural.

“É preciso se pensar em um desenvolvimento sustentável com menor impacto, mas nunca com nenhum impacto. Até porque o próprio desenvolvimento se baseia nisto. A própria geração de energia é transformada a partir de outra fonte. É preciso tirar da natureza uma energia que vai ser utilizada. Se você vai tirar energia da natureza, consequentemente irá impactar a natureza,” pontuou Adissi.

Portanto é desaconselhável o uso do termo “Energia Limpa”, pois toda fonte energética, ao ser convertida, em outra forma produz algum tipo de resíduo ou poluição, que afeta o meio ambiente e as pessoas.

Fato é que as fontes não renováveis – petróleo, gás natural, carvão e minérios radioativos são as principais responsáveis pelas emissões de poluentes que provocam as mudanças climáticas. Por outro lado, as fontes renováveis de energia – sol, vento, água, biomassa são as que menos contribuem para as emissões de gases de efeito estufa, contudo, a expansão destas tecnologias é tão catastrófica do ponto de vista socioambiental, como o do uso das fontes não-renováveis.

Diversificar é a melhor estratégia

Diante deste cenário, como garantir energia e evitar o risco de um apagão? A segurança energética de um país é garantida pela diversidade de sua matriz energética, ou seja, através de mix de tecnologias disponíveis localmente e escolhidas dentro de critérios técnicos e socioambientais.

Para que a humanidade possa conviver melhor com os biomas, é importante que se determine e se conheça as tecnologias alternativas, fechando o ciclo energético de forma mais eficiente. Neste artigo, serão apresentadas duas dessas tecnologias: a energia solar fotovoltaica (energia solar) e o biodigestor anaeróbico a partir da experiência de organizações que compõem a Rede Solivida.

Biodigestor: economia e segurança para famílias do Alto Sertão Paraibano

Item indispensável na maioria das residências, o gás de cozinha convencional acaba pesando no orçamento mensal das famílias. Uma das alternativas viáveis para contribuir com a sustentabilidade e reduzir gastos com butijão é a construção do biodigestor.

O biodigestor é um equipamento capaz de transformar esterco de animais em gás de cozinha e biofertilizante. A tecnologia funciona com base no processo anaeróbico, que se trata da ação de bactérias em matérias orgânicas.

O gás, ou biogás, pode ser utilizado no fogão para substituir o gás de cozinha de botijões. Já o líquido pode ser utilizado como defensivo agrícola e o sólido como fertilizante.

O processo de geração de biogás é realizado por microorganismos (bactérias) que existem no próprio esterco, e acontece naturalmente quando ele se encontra em um ambiente onde não exista oxigênio. Após passar pelo biodigestor, o esterco se transforma em uma fração gasosa (biogás), uma líquida e outra sólida.

Uma das vantagens do biogás gerado pelo biodigestor é a segurança para o consumidor, não  sendo necessária a sua purificação. Porém, como todas as outras fontes de energia, o biodigestor possui desvantagens decorrentes da variação da quantidade de energia gerada e do alto período para o retorno do investimento.

Pensando na melhoria de vida dos agricultores e agricultoras do Alto Sertão Paraibano, o Instituto Frei Beda de Desenvolvimento Social (IFBDS) mediou a construção de biodigestores familiares em assentamentos integrantes da Rede de Cultivos Agroecológicos.

Nove famílias foram beneficiadas diretamente pelo projeto proposto com a implantação do biodigestor em suas residências. As pessoas que foram afetadas pela ação dos beneficiários do projeto pertencem as 498 famílias dos 19 assentamentos pertencentes à Rede de Cultivos Agroecológicos do Alto Sertão Paraibano.

O primeiro beneficiário da ação foi o Assentamento Floresta, em Sousa – PB, criado através da desapropriação do imóvel de mesmo nome. A camponesa Marlene Lopes foi a primeira camponesa a receber o biodigestor.

“Com os cinquenta reais que eu comprava o botijão, hoje eu já posso investir em outra coisa. Sem contar que o primeiro biodigestor da região é o nosso. Isso é muito importante,” frisou.

A Oficina de Capacitação de Pedreiros para a construção do biodigestor foi realizada no Assentamento Floresta – Sousa/PB e contou com a participação de 14 agricultores/pedreiros. Durante a oficina foi construido o 1º biodigestor, porem a oficina contou com a colaboração de mais pessoas que contribuíram para a construção do biodigestor em regime de mutirão. A atividade teve como facilitador o agricultor experimentador José Carlos da Silva da Comunidade Riacho do Meio. Esta ação é preponderante para o empoderamento dos trabalhadores rurais que vão poder construir o seu próprio recurso energético.

 O projeto “Biodigestor: energia e convivência com o semiárido” é uma realização do IFBDS, em parceria com a Comisssão Pastoral da Terra (CPT – Sertão/PB), Núcleo de Estudos em Agricultura Ecológica do Sertão Paraibano (NAESP), Rede de Cultivos Agroecológicos do Alto Sertão Paraibano (NAESP – IFPB) e o Núcleo de Extensão Campo Solar e apoio do Fundo Socioambiental CASA e o Fundo Socioambiental CAIXA.

Energia solar para a agricultura familiar no Maranhão

A Associação Educação e Meio Ambiente (EMA) percebeu em suas atividades no convênio para prestação de Assistência Técnica e Extensão Rural ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) uma necessidade latente de pensar a questão da infraestrutura para esses assentamentos.

A Reforma Agrária avançou muito no que tange à demarcação de terras e concessão de serviços de acompanhamento que dessem conta de garantir as condições para enrredar os assentamentos na ampla teia de garantias sociais e econômicas que todos os brasileiros devem usufruir, na cidade e no campo.

No entanto, muitos assentamentos se encontram com suas possibilidades de produção emperradas devido a escassez de linhas crédito para investimentos e custeio de ações ligadas a melhoria nas condições de infraestrutura que sejam acessíveis aos assentados.

Foi pensando nisso que a EMA iniciou cultivo de espécies frutíferas com a utilização de energia solar para auxiliar na irrigação.

“Em todas as metas que propomos na assistência técnica que realizamos em assentamentos do INCRA no Maranhão temos como parâmetro a intensificação da agricultura familiar. Entendemos que os assentamentos da Reforma Agrária possuem alto potencial produtivo de alimentos e geração de renda para as famílias que agora ocupam esses territórios. Sabemos isso por meio da larga experiência que nós da EMA acumulamos nesses anos de atuação no campo e investir em energia solar para melhorar a irrigação pensamos ser uma aposta estratégica no sentido de avançar no estímulo a autonomia produtiva dos assentamentos”, explica Maria Elisabeth Detert, coordenadora da EMA e presidente da Rede Solivida.

A expectativa da EMA é que 5 assentamentos sejam beneficiados com a implantação de painéis solares.

 

Algumas referências:

COSTA, Heitor. Matriz e modelo energético brasileiro: discussão inadiável. Publicação da RRCK Comunicação&Marketing , v. I, p. 28-30, 2011.

Empresa de Pesquisa Energética. Balanço Energético Nacional 2015 – Relatório Síntese. Disponível em: https://ben.epe.gov.br/downloads/S%C3%ADntese%20do%20Relat%C3%B3rio%20Final_2017_Web.pdf

 LUNA, Flávio; DA SILVA, Misael. Autonomia Energética: Uma etnografia com possibilidades para o Desenvolvimento Sustentável em Assentamentos Rurais na Paraíba.Disponível em http://www.29rba.abant.org.br/resources/anais/1/1403287961_ARQUIVO_AutonomiaEnergetica(ABA)LUNAMISAELFINAL.pdf

Ministério de Minas e Energia (Brasil). Boletim Mensal / Ministério de Minas e Energia. – Brasília : MME, 2016. Disponível em: <http://www.mme.gov.br/documents/10584/3580498/09+-+Capacidade+Instalada+de+Gera%C3%A7%C3%A3o+El%C3%A9trica+-+ano+ref.+2016+%28PDF%29/cbf8aa82-eea6-4141-9370-14022762785a?version=1.0>

NOGUEIRA, Francisco. Produção de biogás gerando energia e fertilidade no sertão Paraibano. Disponível no site do Núcleo de Estudos em Agricultura Ecológica do Sertão Paraibano – IFPB:http://naesp.eco.br/index.php/projetoss/criacao-animal/item/41-producao-de-biogas-gerando-energia-e-fertilidade-no-sertao-paraibano

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