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Cuidado Com a Infância

Experiências de trabalhos com crianças na Rede Solivida

Prestes a completar 28 anos de existência, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) foi criado com o intuito de assegurar os direitos fundamentais das crianças e adolescentes. Mesmo elogiado internacionalmente como uma das melhores legislações protetivas a infância, os direitos defendidos pelo estatuto são desconhecidos por boa parte da população brasileira, uma prova desse desconhecimento é que cotidianamente cruzamos com crianças e adolescentes trabalhando por alguns trocados nas ruas, lemos nas manchetes a dor de crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica, assistimos na TV a morte de crianças e adolescentes em meio a tiroteios.

E apesar desse quadro preocupante, vários pontos de esperança se acendem por meio das organizações da Rede Solivida, pois muitas têm como foco principal o cuidado com a infância nas comunidades que atuam diariamente através da educação, esporte, arte e cultura.

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Crianças que transformam é assim que a Rede Solivida através de suas organizações olha para as crianças beneficiadas.  Das 26 instituições parceiras a maioria delas desenvolve atividades para crianças. “As crianças e adolescentes ainda são seres em desenvolvimento, estando suscetíveis âs mais diversas formas de violência. Cuidar dessa infância é tentar garantir um desenvolvimento saudável, e com oportunidades” refletiu a coordenação da Comunidade Pequenos Profetas (CPP).

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A Comunidades dos Pequenos Profetas do Recife realiza atendimentos para crianças, adolescentes e jovens através de atividades socioeducativas, atendimento psicossocial, visitas domiciliares, atendimento familiar e encaminhamento para a rede socioassistencial.  A instituição atende meninos e meninas com faixa entre 07 a 21 anos. “Temos uma média de atendimento diário que varia de 60 a 80 atendimentos e ao ano atendemos mais de 400 pessoas”, afirma a coordenação.

A CPP realiza atividades de como oficinas de Artes, roda de leitura, cidadania e direitos humanos, esportes, hortas (hortas verticais e telhado eco produtivo), gastronomia, meio ambiente, beleza afro, discussões sobre gênero, passeios, etc.

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Criança tem sonho. Isabela, que ver na CPP uma ponte para o seu futuro afirma: “é muito bom, por que nos ajuda a desenvolver atividades e nos estimula a ir para a escola e com isso nos tornamos pessoas melhores” disse a beneficiada pela organização.  Já Laisa tem um grande sonho, que divide conosco: “eu quero ser policial, aqui aprendo sobre o combate a violência e escuto nas oficinas o que devo fazer para alcançar meus sonhos” disse entusiasmada.

A CPP reflete diariamente os direitos e deveres das crianças, “Aqui na instituição procuramos trabalhar diariamente sobre os direitos das crianças e adolescentes nas oficinas, além disso temos a oficina de cidadania e direitos humanos, onde trazemos textos, filmes, desenhos e exemplos do cotidiano para abordar a temática. Também levamos as crianças para reuniões ministradas pelo Conselho Municipal – COMDICA, onde além de estarem por dentro da temática trabalhada eles ainda estão em contato com as crianças e adolescentes de outras instituições”, afirmou a equipe da organização.

Para a Turma do Flau de Brasília Teimosa (PE), os cuidados com a infância são tão importante quanto pensar no futuro do país: “uma infância bem vivida é a certeza de um adulto responsável  e seguro. Sobre os cuidados com a infância fala-se muito e se pratica pouco, sobretudo, os políticos responsáveis”, relatou a coordenação do Flau.

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O Trabalho da instituição vem transformando vidas de crianças desde 1982, na comunidade do Recife: “a nossa instituição desenvolve ações com crianças e adolescentes desde de 1982, sempre na área educativa, cultural, religiosa e de cidadania. Atualmente, estamos com as oficinas de percussão, Cantigas e brincadeiras de Roda, Contação de História, Canto coral, Escolinha de futebol, Catequese ( para os católicos ), Oficinas de violão e capoeira e reforço das atividades pedagógicas. De maneira bem participativa, quando recebemos uma criança no Flau, não fazemos a inscrição para uma determinada atividade, mas para participar das ações oferecidas na instituição. Com o tempo a criança vai vendo em que atividade ela se identifica”, concluiu a equipe da turma do Flau.

Para Nicoly, aluna da turminha do Flau, o projeto é muito bom e é uma oportunidade para experimentar novidades: “acho muito bom. A gente tem oportunidade de aprender coisas novas. Conhece pessoas novas, sobretudo, pessoas de outros países”, concluiu a beneficiada.

A Casa Menina Mulher (PE) afirma que o trabalho com a infância é primordial para o futuro do nosso País, pois para eles é  na infância onde se deve realizar um investimento já que são as crianças as maiores vítimas desse cenário excludente e de desmoronamento das políticas sociais básicas. A casa hoje realiza diversas ações: “atuamos na área da prevenção da violência atendendo crianças e adolescenets em situação de violação. Atualmente são 78 beneficiadas dentro do projeto. Nesta ação desenvolvemos ações de Inclusão Digital, Leitura, Artes, Cultura e a formação para a vida  cidadã”, afirmou a direção da Casa.

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A Casa Menina Mulher como as demais organizações tem seus objetivos, que é a transformação social, “O trabalho desenvolvido pela CMM, tem esse objetivo. Porém, cada dia se torna um desafio até para nós que integra a equipe dar continuidade aos trabalhos. O cenário interno é muito desfavorável para nossa atuação. E quanto a diminuição da violência, não temos meios para mensurar se de fato ela diminui. Sabemos que com as ações pelo menos provocamos uma reflexão importante, onde elas passam a reconhecer fatos e atitudes que causam violência, porém não temos como afirmar de maneira positiva se o trabalho chega a interferir no quadro de violência que elas vivenciam. Sobretudo considerando que muitas dessas violências ocorrem dentro da própria família” refletiu a direção.

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Na Paraíba a Associação Frei Gregório (AFG) realiza um trabalho de combate à violência diariamente através de atividades como teatro, dança, informática, entre outras que são instrumentos na transformação das crianças beneficiadas. A faixa etária dos atendidos é de 07 a 15 anos. Para participarem dos projetos todas as crianças devem estar matriculadas em escolas públicas: “para nossa organização, o trabalho com crianças é o essencial, pois tudo começa na infância, que é a fase base da vida humana. Pensando assim temos esse cuidado de, através da educação e do amor, fazer com que nossas crianças tenham um futuro de qualidade e com responsabilidade” conclui a coordenação da AFG.

 Para a aluna Ketlly a AFG é uma ponte na realização de seu sonho. “A AFG é tudo para mim, eu tenho um sonho de ser atriz, eu despertei esse desejo aqui, através das aulas de teatro, pois durante as peças, podemos ser quem queremos ser”, afirmou a beneficiada.

Na cidade de Campina Grande (PB) a Associação para a Promoção Humana Santo Antônio (PHSA), relata que o período conhecido como infância caracteriza-se pela grande gama de cuidados reclamados pelo indivíduo. Cuidados esses que, se negligenciado, podem acarretar danos de difícil tratamento e solução. A infância requer atenção e dedicação nas variadas e intrínsecas nuances que formam o ser. Promover o desenvolvimento físicopsicosocial da criança se constitui uma responsabilidade prioritária daqueles que se propõem a educar e interagir nessa fase do ser humano.

A PHSA tem uma parceria entre a organização e a Escola Municipal Santo Antônio, com isso as atividades tem uma melhor qualidade e desenvolvimento, “Nossa organização desenvolve junto as crianças um trabalho em pareceria com a Escola Santo Antônio. Essa parceria se dá na participação das crianças nos eventos comunitários com apresentações de cunho artístico e educacional que homenageiam segmentos como as mães da comunidade, as datas comemorativas como o natal ou campanhas para promover e garantir a saúde como o reforço a hábitos de higiene que previnem certas epidemias. Em contra partida, a instituição encabeça companhas para angariar recursos financeiros para a complementação de recursos didáticos nos eventos promovidos pela escola”, ressaltou a direção da Associação.

Originalmente fundada como orfanato, a Associação Cidade da Criança é uma das entidades da Rede Solivida mais antiga a tratar do cuidado com a infância no município de Simões Filho – Bahia, depois de orfanato, a entidade serviu como escola primária atendendo crianças com idade entre 3 a 13 anos, mesmo com o fim da escola a instituição permaneceu atendendo o público infantil, atualmente em especial com a Casa de Esporte, coordenada pelo educador físico, Helder Christian. Com cerca de 200 crianças, a Cidade da Criança atende os pequenos de 7 aos 16 anos, que praticam atividades como natação, handebol, voleibol, futsal e capoeira.

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Nos últimos dois anos, a Cidade da Criança implementou o projeto “Roda dos Saberes”, no qual a comunidade atendida pela instituição passou a colaborar através de pequenas taxas com o intuito de manter os cursos oferecidos. A nova forma de se relacionar com a instituição gerou uma maior proximidade da comunidade criando nas famílias das crianças um senso de divisão de responsabilidades, permitindo que todos entendessem o seu papel no fazer sócio-educacional dessas crianças.

“Acredito com muita convicção que o trabalho desenvolvido pela Cidade da Criança, auxilia na formação de todos que por aqui passam, provocando nos sujeitos atendidos a necessidade de refletir e possibilitando na elevação da autoestima e uma convivência saudável em sociedade”, avalia Wellington Pereira, coordenador pedagógico da instituição simõesfilhense.

Criada em 2002, com o propósito de trabalhar o resgatar de jovens por meio da reciclagem, a Associação Cultural dos Pequenos Artesões da Vila Encantada – Cariam, busca proporcionar a infância do município de Campo Formoso valores familiares e ensinando como se relacionarem bem com o outro, reconhecendo seus direitos e deveres, para se tornarem adultos responsáveis com o social.

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No ano de 2018, a Cariam atende 53 crianças e adolescentes, entre 5 a 14 anos, através de atividades como dança, artes marciais e um reforço escolar, proporcionando esporte e lazer para os pequenos da comunidade, por meio de jogos, encontros com formações recreativas e educativas, passeios e brincadeiras que resgatam a cultura de Campo Formoso.

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“Acreditamos que cuidar da infância é pensar nos adultos de amanhã, projetando um bem social coletivo. Procuramos fazer com que nossas crianças mantenham os valores familiares junto com a fé num futuro melhor”, ressalta Aurivete Chaves, presidente da Cariam.

Funcionando em Campo Formoso desde 2005, com o apoio da Paróquia de Santo Antônio, a Associação Cultural Raízes e Asas – ACRA foi criada com o intuito de promover o desenvolvimento da arte e cultura das crianças e jovens das comunidades de Campo Formoso. Atendendo crianças entre 5 a 12 anos, a ACRA desenvolve um trabalho de arte e cultura com crianças através de oficinas de teatro que de forma lúdica e dinâmica permitem aos pequenos interagirem sobre temáticas sociais, as crianças aprendem se divertindo.

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Vista como um agente transformador na comunidade de Bairros Populares e trazendo desenvolvimento e esperança para as crianças atendidas, a ACRA vem criando oportunidades, incentivando o empoderamento, à liberdade, à educação e o lazer através de uma linguagem dinâmica para mostrar as crianças o seu valor diante da sociedade. E uma prova disso é a Mariana, de 10 anos, da turma 1 de Arte e Cultura que se declara feliz pelos dois anos que ela está na ACRA. “Eu gosto muito de participar das aulas na ACRA, aqui eu sou quem eu quero ser e usando só a minha imaginação”.

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A parceria entre as famílias e a instituição acontece mensalmente fortalecendo a relação entre as crianças, suas famílias e a entidade, todos juntos buscando uma forma lúdica e criativa para lidar com as vivências e as questões sociais. “A infância é a fase mais importante da vida de qualquer pessoa, pois é nela que acontece a construção da personalidade e os caminhos que irão seguir a partir da formação dos indivíduos”, ressalta Robson França, coordenador da ACRA.

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