abril 29th, 2020 — Geral

COVID-19 E SEUS IMPACTOS SOCIAIS

 

 

Inicialmente detectado em Wuhan, na China, o novo Coronavírus (Covid-19) vem se proliferando de forma rápida em todo o mundo, atingindo mais de 180 países até agora, o número de infectados aumenta cada dia e o contágio se dá de forma fácil e suas consequências ainda são desconhecidas pela ciência.

Com o decreto da pandemia, em 11 de março, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgando o número de casos, mortes e países afetados pelo vírus – incluindo o Brasil, se instaurou uma sensação de temor e incerteza. A população precisou adequar seus comportamentos a uma nova rotina e os impactos causados pela Covid-19 tornaram-se preocupantes principalmente no que diz respeito às pessoas em situação de vulnerabilidade social.

A solidariedade se tornou uma das principais armas de combate aos impactos causados pela pandemia e as organizações da sociedade civil que combatem diretamente a desigualdade social no nosso país, passaram a exercer fundamental papel junto às comunidades atendidas. Estas que a muito acompanham as regiões periféricas do Brasil, vem ressaltando que uma grande parcela dos brasileiros não possuem condições de habitação adequada para cumprir o isolamento social, lhes falta saneamento sanitário, acesso à água limpa e sabão para realizar a ação mais básica de proteção pessoal contra o vírus, o ato de lavar as mãos.

O Brasil possui cerca de 300 mil organizações da sociedade civil, o setor é marcado pela diversidade, mesclando trabalhadores profissionais a voluntários, tratando de ações que envolvem direitos humanos a ambientais, muitas vezes chegando a locais que o braço do Estado não chega, complementando as ações das políticas públicas e dando voz as mais diferentes pautas. Diante de um provável colapso da economia, com o fechamento de atividades não essenciais e com a incerteza da manutenção das vidas e dos empregos nos rondando, e percebendo que esses problemas chegariam as suas 33 organizações, membros da Rede SoliVida passaram a se reunir virtualmente pensando em traçar estratégias e sensibilizar governos, além dos parceiros nacionais e internacionais na tentativa de amenizar as necessidades das pessoas diretamente atingidas no campo e na cidade pelos impactos causados pela Covid-19.

Individualmente muitas instituições que compõem a Rede já vinham se mobilizando para ajudar seus atendidos e suas localidades por meio da distribuição de alimentos, produtos de higiene pessoal, material de limpeza e assessoria jurídica gratuita, mas percebendo que ainda há muito a se fazer coletivamente, a Rede SoliVida construiu a campanha “Quem tem Fome, Não pode Esperar”, e com esse tema vem unindo amigos e parceiros com o intuito de multiplicar as ações solidárias e ampliar o número de pessoas atendidas. Para que possamos superar essa crise mundial de saúde pública fazendo com que as doações cheguem onde realmente são necessárias, garantindo o abastecimento de produtos essenciais e o escoamento dos pequenos agricultores se faz necessário uma mobilização, organização e união de todos, sociedade civil, governos e empresariado no enfrentamento das consequências geradas pela pandemia.

AÇÕES DOS PARCEIROS DA REDE SOLIVIDA

De norte a sul do Brasil, do campo a cidade iremos vivenciar os efeitos diretos e indiretos de uma sociedade desigual como a brasileira.  A Rede SOLIVIDA apoiada pela entidade alemã Aktionskreis Pater Beda e sua equipe vem fornecendo um suporte as organizações brasileiras nesse trabalho de enfrentamento à Covid-19.

Desde o início das medidas anunciadas de controle ao vírus, vários parceiros da Rede realizaram mobilizações em suas localidades com comerciantes locais e amigos para minimizar as dificuldades a serem enfrentadas por sua comunidade, esse foi o caso da ONG Nosso Lar, do Juazeiro do Norte, que por iniciativa própria reuniu amigos em busca de doações de alimentos e material de higiene para atender as famílias carentes e já beneficiou 272 famílias juazeirenses e continua buscando apoio para ampliar esse número, a instituição cearense foi uma das primeiras e se mobilizar digitalmente para angariar produtos e por meio desta, foi criado a frase “Quem tem fome não pode esperar”.

Atuando na Ilha de Deus, periferia de Recife, a ONG Saber Viver vem atendendo por meio de cestas básicas cerca de 400 famílias na comunidade da ilha e de Imbiribeira, contudo, já se observou que o ideal seria a possibilidade da doação de 600 cestas, além da distribuição de ovos de páscoa para crianças através do auxílio de uma marca brasileira de chocolates. A comunidade que é conhecida pelo intercâmbio voluntário e pela recuperação de uma das maiores áreas de manguezal na área urbana, encontra-se impossibilitada inclusive de exercer o seu principal ganha-pão que é a venda dos mariscos.

Para acompanhar os efeitos da COVID-19 na região da baixada fluminense, o Centro de Direitos Humanos de Nova Iguaçu, confeccionou um questionário para melhor compreender como auxiliar a comunidade do alimento ao acesso ao auxílio emergencial ofertado pelo governo. Com mais de 800 respostas, percebeu-se que 60% das pessoas afirmaram morar com pessoas da zona de risco e com alguma doença que agravariam no caso do contágio com o vírus. O desemprego e a fome aparecem no topo da lista dessas pessoas como consequência da pandemia e mais de 70% afirmam estar desempregado nesse momento.

Se na cidade a possibilidade de passar fome assusta a todos, no campo os pequenos agricultores enfrentam a possibilidade de perderem safras inteiras por não terem a possibilidade de comercialização dos seus produtos nas feiras livres. No município de Campo Formoso, interior da Bahia, agricultores do povoado da Puxadeira ligados a LiderAção, estão comercializando seus produtos através de uma feira online criada pela prefeitura, visando que a população consiga adquirir suas mercadorias e o agricultor familiar venda sua produção, garantido a segurança de todos. A preocupação com o escoamento dos produtos também vem acontecendo com a CPT da Paraíba, que começaram a pensar em formas alternativas para o escoamento dos produtos e desde então, vem articulando conversas com o governo Estadual na busca de garantir essa venda por meio do Programa de Aquisição de Alimentos – PAA que tem a finalidade de promover o acesso à alimentação e incentivar a agricultura familiar.

É perceptível para todos os brasileiros que estamos vivenciando uma crise diferente, além de mantermos as mãos limpas, o isolamento social e se possível à sanidade, quando passar o senso de emergência, o Brasil e o mundo precisará enfrentar efeitos profundos ligados à crise sanitária, serão milhares de pessoas desempregadas, precisaremos ainda mais discutir as nossas desigualdades, vamos precisar enxergar com mais amor e cuidado para as pessoas em cárcere, teremos que ajustar nossos olhos para o aumento da violência doméstica com as crianças e mulheres, com isso, todos precisaremos ser ainda mais solidários, reforçando as trincheiras e apoiando ainda mais o trabalho das ONGs brasileiras.

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“Quem tem fome não pode esperar”

 

Redação: Danielle Antão e Edmar Soares

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