dezembro 5th, 2018 — Geral

Poluição dos rios e suas consequências

“O meu trabalho com o rio, é o mesmo com o mar. Dele eu tiro o meu sustento há mais de 40 anos. Sempre falo para o povo aqui no Beco da Lancha para não jogar as “tralhas” no rio ou no mar. Porque tudo que a água leva, ela traz de volta. Seja de uma forma ou de outra. E ainda nós, pescadores, ficamos prejudicados com essa sujeira toda. A gente termina pescando peixes e mariscos contaminados, e a quantidade tem diminuído muito por aqui. Antes, quando a gente não tinha “ mistura”  em casa, era só dar um mergulho e rápido a gente trazia o que comer” disse Almir, morador de Brasília Teimosa.

Olhando para seu Almir que representa diversos pescadores que vivem das águas dos rios, a turminha do Flau vem desenvolvendo ações de conscientização junto aos alunos e moradores da comunidade. A organização fica localizada na comunidade de Brasília Teimosa que é uma pequena península banhada pelo Oceano Atlântico e pelo Rio Tejipió e Bacia do Pina, ficando sobretudo nas proximidades das Vilas Moacir Gomes e Vila da Prata.

“Nas margens do Rio Tejipió podemos ver todo tipo de poluição, de móveis à pequenos animais mortos e jogados ás suas águas nas proximidades de Brasília Teimosa. Embora não pareça, mas é desse rio que muitos moradores da localidade e adjacentes tiram boa parte do seu sustento. É das águas e lamas que veem a esperança do pão de cada dia. Quem vive desse meio de sobrevivência não ver ali apenas o que nossos olhos podem ver. Além das margem e por sobre a água, a lapa e a poluição, há vida que se refaz e há quem respire por sobre toda essa destruição”, afirmou Denise, presidente da instituição.

A turminha do Flau vem realizando visitas/caminhadas com as crianças/adolescentes para observar as condições da falta de limpeza no rio. Realizamos gincana para a coleta de garrafas PET e copos descartáveis das margens do rio.  Fizemos encontros de socialização de conhecimentos, e nos colocamos a disposição para eventos comunitários em prol do rio.

Sobre o resultado dessas ações, a coordenação afirmou que ainda está longe, mais disse que aos poucos chegam lá, “O Resultado ainda está longe, mas pequenos gestos já começam a fazer a diferença. Por exemplo, não contribuir para o aumento dessa poluição e consumir menos produtos que necessitem de serem jogados fora as embalagens”, relatou Denise.

A Ong Saber Viver que fica localizada na Ilha de Deus, ao entorno dos rios Pina, Jordão e Tejipió vem desenvolvendo ações de recuperação no manguezal e limpando as águas dos rios, através de jovens voluntários. De acordo com a coordenação, 2.000 mil pessoas são beneficiadas dentro desta ação, e mais de 7.000 mil mudas foram plantadas ao entorno do mangue.

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“ Nosso trabalho é recuperar os rios, retirada do lixo, pois só assim as sementes irão brotar, é necessário retirar para plantar. ” Disse a coordenação do saber viver. Na grande Recife os manguezais estão ameaçados pela poluição e falta de cuidado, residências e industrias jogam resíduos perigosos dentro das águas e assim, contaminam o habitat natural dos seres vivos que ali vivem.

“ Se não tirar o lixo e plantar, a gente vai sofrer e pescaria não vai ter na maré, assim a maré vai ficar poluída , vai ficar podre”. Relatou Novo, pescador da Ilha.  Para mudar essa história a ONG saber viver vem limpando e plantando nos rios, assim, mudaram o cenário da ilha de Deus, que antes não existia verde, hoje a ilha encontra-se verde, o rio e o mangue mais limpo e a população com alimento saudável nas suas mesas.

“Tem gente que fica com preguiça de jogar os restos de móveis no lugar certo e acha mais rápido jogar na maré. Quando chove, todo mundo fica prejudicado, isto é, quem jogou o lixo no rio e quem disse que não era para jogar. Com ajuda da pesca, eu já criei meus 3 filhos, ajudei a criar 4 sobrinhas, mas do jeito que está acho que minhas netas não irão criar seus filhos com a ajuda de São Pedro. Minha esposa, Sara, já fez muito trabalho de reciclagem para ajudar a limpar o rio, mas hoje, por motivo de doença, ela já não pode fazer a mesma coisa. Mas a conversa com as crianças a gente faz. Porque é importante para quem vem depois de nós”, concluiu Almir, pescador de Brasília teimosa.

Produzido por: Esthevão Viana.

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